Quando Jesus chegou no meio dos líderes religiosos e dos sacerdotes, já estava cansado e meio dolorido; muitos homens que estavam ali, olhava-o de cima para baixo, como se ele fosse algum bicho imundo.
Alguns mentirosos começaram a acusá-lo, intrépidos, mas nenhuma de suas palavras se firmaram.
As barbas emaranhadas e negras dos homens do sinédrio nada se diferiam umas das outras, eram todas compridas e bagunçadas com um leve odor de suor e gordura.
O sacerdote cansando se aproximou de Jesus e lhe perguntou.
_Você diz ser o filho de Deus?
Jesus conhecendo o coração daqueles homens disse.
_Você diz.
O sacerdote possuído de ira levantou sua mão e deu-lhe um tapa no rosto com todas suas forças.
A dor foi intensa, mas Jesus manteve-se de pé. Mesmo sabendo que o ódio nutria o coração daqueles lideres, ele amava-os incondicionalmente.
_Mas eu afirmo para vocês que de agora em diante vocês verão o filho do homem sentado ao lado do Deus todo poderoso e descendo das nuvens do céu._ Disse Jesus em voz branda.
Caifás gritou de fúria.
_Isso é blasfêmia! Para que mais provas depois desta confissão. O que faremos com Ele?
Os outros líderes em uníssono responderam. _Ele é culpado, e deve morrer.
E com isso, Jesus, ainda parado diante deles, sentiu um forte tapa no rosto, antes de perceber quem o bateu, outro homem cuspiu em seu rosto e lançou lhe palavrões.
Vários outros golpes foram desferidos em sua face, deixando-o irreconhecível, enquanto o arrastavam para fora do sinédrio para ser levado para os romanos.
Uma multidão gritava BARRABÁS! BARRABÁS, mas o homem indeciso olhava para ele.
_Não vejo nada contra esse homem. Disse o Governador para a multidão.
Mas os gritos tornavam-se mais alto.
CRUCIFICA-O, CRUCIFICA-O, CRUCIFICA-O.
O homem então pegou uma bacia de prata com água no qual lavou as mãos. _ Eu sou inocente da vida dele!
Mas os sacerdotes e mestres da lei que ali estavam, conseguiram persuadi-lo.
O corpo dilacerado de Jesus, estava coberto por uma crosta de sangue rubra e o seu olho esquerdo não abria pelo inchaço deixando-o com uma aparência ainda mais frágil. Uma dor aguda às vezes reclamava sua atenção, mas Jesus continuava a marchar.
Dois soldados o puxaram, um arrancou sua túnica deixando-o nu, a vergonha cresceu dentro do pobre homem enquanto escutava os risos da multidão. Um dos soldados lhe deu um tapa no rosto, causando uma terrível ardência.
“Salvou os outros e não consegue salvar a si mesmo! ” Bravejou o romano enquanto arrastava Jesus por todo o caminho, que mesmo sem forças tentava suportar o peso da cruz que haviam colocado sobre seus ombros; a multidão o cercava por todos os lados. Um homem que estava passando foi puxado pra perto dele e obrigado a carregar a cruz que Jesus já não conseguia aguentar. O desconhecido chamava-se Simão.
Jesus queria chorar, mas não pela dor que sentia, mas sim, por ver o seu povo que tanto amava o humilhar e o rejeitar. Por uns instantes, lembrou-se da ceia que tinha feito com seus amigos, todos estavam alegres e juravam estar com ele até o fim, isso antes de o abandonarem no Getsêmani.
Muitos que agora o xingavam, haviam dito amá-lo. Apenas Maria, sua mãe, e outras mulheres choravam descontroladamente por causa de seu sofrimento. Ele queria consolá-las, dizer que tudo iria ficar bem, mas não tinha forças para falar.
Andou mais alguns metros até ser atirado ao chão.
Arrastaram-no até a cruz que se estendia no solo e o colocaram por cima dela, com cordas esticaram os seus braços para serem posicionados no ponto específico da madeira. A dor foi tão grande que por segundos ele perdeu a consciência.
Olhando para o céu, viu as nuvens passar, sentiu que seu Pai estava observando, então reuniu forças para falar.
_Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem!
Um prego perfurou sua carne. Então ele gritou. O Romano parecia deliciar-se com sua angústia, pois a cada martelada desferida, um sorriso aparecia em sua face.
Por fim, quando pregaram suas mãos e seu pés, ergueram lhe para o alto, aos olhos de toda a multidão.
Dois homens foram crucificados junto dele, um estava pendurado a sua direita o outro a sua esquerda. Um zombou dele, mas o outro crucificado disse.
_Você não teme a Deus nem estando sobe a mesma sentença? Estamos sendo punidos com justiça, por que estamos recebendo o que os nossos atos merecem. Mas este homem não cometeu nenhum mal!_ depois se virou e olhou para o mestre. _Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu Reino!
_Ainda hoje, você estará comigo no paraíso. Falou Jesus.
As pessoas continuavam lançando insultos, quando ele olhou mais uma vez para o céu e percebeu que seu Pai havia virado o seu rosto para ele. Aquilo fez seu coração entristecer-se ainda mais.
_Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
De repente, o tempo escureceu e as pessoas ficaram atemorizados. Sentiu seu amor crescer exponencialmente por aquela multidão.
_Pai, em seus braços eu entrego meu espírito. Falou cansado. Por fim olhou para baixo e disse
_Está consumado!
O céu, tornou-se tão escuro naquele momento e um vento impetuoso soprou tão violentamente, que um dos soldados exclamou com pesar.
_Verdadeiramente, este era o filho de Deus!
Este romano, é quem narrou esta história, e que afirma ter visto todo o suplicio do Messias, ainda hoje, há relatos de que Jesus, foi visto andando nas multidões, depois de sua crucificação.
Seu corpo, ainda encontra-se desaparecido.